Labirinto Shipibo

Na Amazônia peruana, a tradição labiríntica do kené, o bordado mítico do povo Shipibo inspirado pela cultura da Ayahuasca. O banho com raiz queimada é o toque final de dois meses de trabalho. Antes do tingimento que confere o peculiar tom amarronzado à peça, as índias Shipibos da região de Pucallpa, na Amazônia peruana, bordam, ponto a ponto, as linhas dos motivos inspirados pelas visões geradas pela Ayahuasca. O traçado dos desenhos segue padrões geométricos e labirínticos, nunca repetidos, que expressam a intrincada cosmovisão Shipibo e os seus ícaros, as canções entoadas nos rituais com Ayahuasca.
A tradição de desenhar, bordar e tingir os kenés constitui a base da vestimenta feminina, da cerâmica e dos acessórios Shipibos. Depois de trabalhados, os tecidos de 1,30 m x 0,90 m, originalmente feitos de algodão de altíssima qualidade, são amarrados à cintura. As mulheres tomam Ayahuasca, sabem recitar de memória os ícaros, as canções medicinais e curativas, cantadas nas cerimônias com Ayahuasca. Para os Shipibos, a sagrada Ayahuasca é um meio de interlocução dos homens com a espiritualidade, plasmada nas expressões culturais e no artesanato.
A arte kené está ligada ao conhecimento da biodiversidade e às “plantas de poder” da selva, reveladoras da cosmovisão Shipibo. As mulheres que tomam a Ayahuasca e têm visões possuem mais prestígio do que aquelas que apenas copiam os desenhos das outras. Gotas de piri piri (extratos de cipós) também são colocadas no umbigo das adolescentes ou pingadas como colírios para “curar os olhos”, ou seja, para ativar a habilidade artística “de ver desenhos em seus pensamentos”. É assim que as mulheres descrevem a inspiração dos motivos labirínticos que fiam e bordam. Em 2008, o governo peruano protegeu o kené Shipibo declarando-o como patrimônio nacional cultural. Foi patrimonializado também o uso cerimonial da Ayahuasca, em torno do qual se desenvolve a medicina e uma produção artística original na Amazônia peruana.

A tradição de desenhar, bordar e tingir os kenés constitui a base da vestimenta feminina, da cerâmica e dos acessórios Shipibos. Depois de trabalhados, os tecidos de 1,30 m x 0,90 m, originalmente feitos de algodão de altíssima qualidade, são amarrados à cintura. As mulheres tomam Ayahuasca, sabem recitar de memória os ícaros, as canções medicinais e curativas, cantadas nas cerimônias com Ayahuasca. Para os Shipibos, a sagrada Ayahuasca é um meio de interlocução dos homens com a espiritualidade, plasmada nas expressões culturais e no artesanato.
A arte kené está ligada ao conhecimento da biodiversidade e às “plantas de poder” da selva, reveladoras da cosmovisão Shipibo. As mulheres que tomam a Ayahuasca e têm visões possuem mais prestígio do que aquelas que apenas copiam os desenhos das outras. Gotas de piri piri (extratos de cipós) também são colocadas no umbigo das adolescentes ou pingadas como colírios para “curar os olhos”, ou seja, para ativar a habilidade artística “de ver desenhos em seus pensamentos”. É assim que as mulheres descrevem a inspiração dos motivos labirínticos que fiam e bordam. Em 2008, o governo peruano protegeu o kené Shipibo declarando-o como patrimônio nacional cultural. Foi patrimonializado também o uso cerimonial da Ayahuasca, em torno do qual se desenvolve a medicina e uma produção artística original na Amazônia peruana.

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