O Instituto da Sagrada Ayahuasca

Gratidão à Ayahuasca

Para nós a Ayahuasca é Sagrada e merece respeito e amor, além de ser o foco das cerimônias. Por isso o Instituto é DA Sagrada Ayahuasca, porque a ela pertence sem subdividir atenção com lugar, ambiente, ou música, nem com as convicções dos condutores ou dos participantes. A força e a firmeza vêm exclusivamente da interação individual entre a Ayahuasca e o participante.

Realizamos as cerimônias por propósitos de amor em nosso coração, de modo que deste trabalho nada esperamos em troca.

Nós do Instituto, temos um compromisso ético em oferecer a sagrada bebida a todos aqueles que nos buscam no momento em que entendem estar preparados e querem conhecer a si mesmos, livre do comércio e das ilusões.

Trabalhamos de maneira voluntária para realizar as cerimônias. Este "esforço" em fazer com que a oportunidade aconteça e chegue a todos que nos procuram é feita apenas por amor, para que cada um tenha a oportunidade ao menos uma vez na vida optar ou não pelo despertar com a Ayahuasca, e, não seja alguém que lamente-se por nunca ter tido acesso.

É muito comum ouvir que uma sessão de Ayahuasca equivale a uma vida inteira de muitos anos de terapia. Há relatos de pessoas que estavam há décadas em tratamento com muitos métodos revolucionários mas nada disso as curou e em apenas alguns rituais com a Ayahuasca encontraram no auto-conhecimento a ‘cura’ que tanto buscavam. É porque o que procura está dentro de si mesma. A Expansão de consciência auxilia a estar num estado em que somos capazes de compreender isso.

É oportuno, dentro desse tema, entender que está a critério de cada um, a decisão de participar ou não de rituais com Ayahuasca, há opções para todos e não vejo necessidade em afirmar qual a maneira mais justa ou correta para tal. A nós interessa manter o trabalho sério, bem delimitado, responsável, respeitoso e amoroso que estamos realizando ao longo dos anos, oferecendo a oportunidade de transformação a todos aqueles que nos procuram.

Nossa parte é permitir que a Ayahuasca esteja acessível aos que legitimamente a buscam, e, noticiar que ela existe e está acessível neste momento, convidando-os.

A Ayahuasca aciona o ápice de todas as capacidades do participante concomitantemente, a isso chamamos de expansão de consciência. O objetivo de expandir a consciência não é compreender (racionalizar logicamente) e saciar a sede individual de conhecimento mas sim ter compreensões (observar a realidade e aceitar que ela é como é independente de racionalização lógica ou do seu julgamento) com objetivo de auxiliar o todo. O participante utiliza a totalidade de suas capacidades para ter compreensões contemplando e aceitando o infinito fluxo de si mesmo de tudo o que há e do que vier, o que lhe permitirá naturalmente tender ao equilíbrio e paz.

O exercício de utilizar a capacidade máxima humana diante do desequilíbrio para reequilibrar chamamos de trabalho durante a cerimônia. Assim como para caminhamos precisamos de um sutil desequilíbrio do nosso corpo para frente para em seguida sem resistência aceitarmos este desequilíbrio e compreensivamente termos a atitude de colocar um dos pés à frente para nos reequilibrar, e, com esta constante prática de reequilíbrio natural nos pomos a caminhar, do mesmo modo, no trabalho com a Ayahuasca há um inicial desequilíbrio com a chegada da força para que saiamos do estado dormente, e, cabe ao participante o trabalho de firmeza para ser compreensivo e a partir desta força se reequilibrar. Assim como para caminhar é preciso não oferecermos resistência ao inicial desequilíbrio do corpo ou buscar devolvê-lo ao estado inicial estático, mas, tão somente reencontrarmos o equilíbrio dando um passo; da mesma forma, no trabalho com Ayahuasca orientamos aos participantes que apenas deixem fluir e não ofereçam resistência à força que os destaca da dormência para o despertar, que se desprendam da necessidade de racionalizar e optem pela postura de contemplar a realidade e aceitá-la, de modo que assim se reequilibram e assim "dão um passo" adiante para novamente receber o mesmo estímulo e assim, com a alternância entre desequilíbrio ao despertar e reequilíbrio ao compreender realizam o trabalho que os direciona a um estado de percepção compreensiva que permite exercitar a capacidade de ficar bem internamente e externamente em toda experiência que for expostos em sua vivência.

Este trabalho não torna os participantes imunes ao desequilíbrio, porque o desequilíbrio é necessário para iniciar o fluxo de tudo evitando a estagnação, mas sim permite desenvolver intimidade com todas as capacidades para exercitar e executar com mais naturalidade a atividade de reencontrar o equilíbrio, de modo que assim consegue um melhor aproveitamento da experiência própria com mais foco sendo o que é e evitando potencializar desequilíbrios ou negligenciar a oportunidade de reequilibrar e fluir em paz.

Assim como aprender a andar exigiu certo empenho de todos nós enquanto seres que caminham, não conseguimos andar sozinhos de primeira, e, havia pessoas ao redor que nos apoiaram e estimularam a continuar tentando porque sabiam que conseguiríamos quando estivéssemos prontos; do mesmo modo, na cerimônia da Ayahuasca há pessoas, que chamamos de padrinhos, que estão ali para apoio e acompanhamento dos participantes até que cada um consiga despertar da dormência do estado padrão de consciência para a consciência expandida e encontrar seu ritmo de reequilíbrio dando seus primeiros passos consciente, se reequilibrando naturalmente, e, quando alguém falhar, lembrando de que apenas tente novamente com mais compreensão, amor, humildade e firmeza até que consiga sozinho estabelecer este fluxo de reequilíbrio e dê início ao seu caminho individual consciente, em paz.

Em breve poderemos, em cerimônia com a Ayahuasca, relembrar desde a forma mais eficiente de respirar e agir até mesmo a forma mais natural de experienciar o que somos de modo mais equilibrado, graças à coragem e esforço do trabalho na força com a firmeza da humildade e compreensão que flui do amor. O convite, com respeito pela Ayahuasca e amor ao próximo, está feito.

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